domingo, 5 de fevereiro de 2012

Listas

Eu gosto de listas. Todas são injustas, mas eu gosto.

No saudoso Orkut, participava de várias comunidades do tipo TOP5, TOP10 etc em várias modalidades, a maioria de música. Aparentemente elas não servem para muita coisa além de mostrar ao mundo que você sabe classificar segundo uma ordem de interesse, por diversas razões, etc., mas o que interessa na verdade é que ela serve para mostrar, vaidosamente, que você conhece bem algum assunto, ao ponto de ousar classificá-lo. E, como atenuante, ela é uma forma de compartilhar gostos, trocar opiniões e achar afinidades no vasto mundo da Web. E, claro, acaba também sendo útil para análise psicológica.

A revista Gramophone, por exemplo, publicou uma lista dos 50 maiores maestros do mundo de todos os tempos, de A a Z:

Abbado
Barbirolli
Barenboim
Beecham
Bernstein
Böhm
Boulez
Boult
Celibidache
Chailly
Davis
Dudamel
Fricsay
Furtwängler
Gardiner
Gergiev
Giulini
Haitink
Harnoncourt
Hogwood
Jansons
Järvi
Jochum
Karajan
Kleiber
Klemperer
Koussevitsky
Kubelik
Levine
Maazel
Mackerras
Marriner
Mehta
Mengelberg
Monteux
Mravinsky
Munch
Muti
Nikisch
Ormandy
Ozawa
Pappano
Rattle
Reiner
Solti
Stokowski
Szell
Tilson Thomas
Toscanini
Walter
Wand

E, apesar de uma primeira olhada parecer que não falta ninguém, uma segunda visita mais atenta nos revela a ausência de Giuseppe Sinopoli, Kurt Masur, Antal Dorati, Ernest Ansermet, Karel Ancerl, André Previn, Wolfgang Sawallisch, Georges Prêtre, Victor de Sabata e Igor Markevitch, só para citar alguns breves que me vêem à mente.

Mas, mesmo injustas, as listas fascinam. Por quê?
Provavelmente, porque nos incita ao debate sobre um assunto que gostamos. Além, é claro, de festejar nossa vaidade.

Assim, aqui vai um pouco das minhas listas TOP 10 que me lembro dos primórdios das redes sociais:

My TOP 10 Pianists
1) Arrau
2) Pollini
3) Brendel
4) Argerich
5) Gilels
6) Michelangeli
7) Lipatti
8) Zimerman
9) Horowitz
10)Richter

Followed by Weissenberg, Gould, Uchida, Ashkenazy & Freire.

My TOP 10 Brazilian Pianists
1) Nelson Freire
2) Guiomar Novaes
3) Arthur Moreira-Lima
4) Arnaldo Cohen
5) Cristina Ortiz
6) Magda Tagliaferro
7) Roberto Szidon
8) Antonio Guedes Barbosa
9) Marcelo Bratke
10) Laís de Souza Brasil

My TOP 10 conductors

1) Mravinsky
2) Bernstein
3) Celibidache
4) Böhm
5) Haitink
6) Stokowski
7) Solti
8) Davis
9) Giulini
10) Leinsdorf

Followed by Prêtre, Previn, Maazel, Abbado, Mehta, Sinopoli, Ozawa, Karajan

My TOP10 Orchestras

1) Berliner Philharmoniker
2) Amsterdam Concertgebouw
3) Wiener Philharmoniker
4) London Symphony
5) Bayerischen Rundfunks
6) Staatskapelle Dresden
7) Gewandhausorchester
8) Philharmonia
9) Boston Symphony
10) Chicago Symphony

Followed by Göthenburg Philharmonic, St.Petersburg Philharmonic, NY Philharmonic & Academy of St.Martin in-the-Fields

My TOP 10 Violin players
1) Perlman
2) Accardo
3) Szeryng
4) Grumiaux
5) Menuhin
6) Milstein
7) Kremer
8) Heifetz
9) Mullova
10) Oistrakh

Followed by Frang, Mintz, Stern & Adamyan

My TOP 10 Symphonies

1) Beethoven 6
2) Schubert 9
3) Mozart 40
4) Mahler 5
5) Tchaikovsky 6
6) Brahms 4
7) Beethoven 9
8) Shosta 5
9) Mozart 41
10) Haydn 104

My TOP 10 Mozart works
1) Clarinet Concerto
2) Symphony 40
3) Requiem
4) Jupiter Symphony
5) Le Nozze di Figaro
6) Piano Concerto 20
7) Die Zauberflöte
8) Symphony 39
9) Piano Concerto 16
10) Great Mass in C minor

My TOP 10 musical works of all time
1) Bach Chaconne
2) Beethoven 6th
3) Mozart Clarinet Concerto
4) Schubert Piano Sonata 21
5) Debussy La Mer
6) Stravinsky Le Sacre
7) Wagner Tristan
8) Brahms Piano Concerto 2
9) Tchaikovsky Nutcracker
10) Mahler 8th

My TOP 10 String Quartets
1) Schubert Der tod und der maiden
2) Beethoven Rasumovsky no.3
3) Mozart Dissonance
4) Beethoven op.130
5) Schumann op.41/1
6) Haydn Emperor
7) Tchaikovsky no.1
8) Grieg A minor
9) Ravel F major
10) Shostakovich 8

Followed by Debussy, Bartók 5, Beethoven op.132, Mozart K458, Dvorák "American".

My TOP 10 Piano Concertos
1) Beethoven 5
2) Mozart 20
3) Brahms 2
4) Tchaikovsky 1
5) Prokofiev 3
6) Rachmaninov 2
7) Beethoven 4
8) Mozart 25
9) Gershwin
10) Pierné

Followed by Rach 3, Bartók 3, Schumann, Shostakovich 2 & Mozart 5


TOP 5 Bach Cantatas
1) 34
2) 147
3) 140
4) 11
5) 21

TOP 10 Russian Composers
1) Tchaikovsky
2) Stravinsky
3) Prokofiev
4) Rimsky-Korsakov
5) Shostakovich
6) Mussorgsky
7) Rachmaninov
8) Borodin
9) Khachaturian
10) Kabalevsky


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Oitava de Mahler e o triunfo da música ao vivo

Dia 4 de outubro último, tive a oportunidade de ir à Sala São Paulo assistir a um evento de rara apresentação, que há muito ansiava por ver: a Oitava Sinfonia de Mahler ao vivo.
É uma obra cujo apelido, dado pelo editor por razões comerciais, é "Sinfonia dos Mil", e reza a lenda que em sua estréia o contingente de músicos instrumentais, solistas e coro somavam 1023 pessoas. Hoje, mesmo sendo executada em versões mais compactas ("Sinfonia dos 500", ou "dos 300", que foi o caso desta, etc..) ainda assim não é sempre que há verba e competência para apresentar uma peça de tal magnitude. Ainda mais no Brasil.
Desde que me mudei para Salto, no interior de SP, minhas perambulações pelas salas de concerto diminuíram significativamente, pois é fato que as produções culturais desta esfera só se viabilizam nos grandes centros, e por conta disso acabo por satisfazer minhas aspirações melômanas nas gravações em CD.
Eu, como mahleriano inveterado, conheço pelo menos 7 versões desta sinfonia (Solti, Gielen, Haitink, Bernstein, Abbado, Rattle e Tennstedt), e confesso que fiquei no mínimo curioso para saber como soaria com Rozhdestvensky. Como seriam seus andamentos? Sua dinâmica? A OSESP faria jus ao nome e à excelência neste desafio? Era um evento imperdível, e fiz questão de viajar apenas para poder vivenciar tal experiência.
Entretanto, qual não foi minha surpresa, quando dos primeiros e avassaladores acordes de mi bemol maior que iniciam a sinfonia, a análise e interpretação destes aspectos meramente tecnocratas passaram completamente ao plano do supérfluo, tal foi a impressão que a sonoridade da obra me causou logo na exposição do tema. Nunca, repito, nunca havia ouvido nada igual. O som de uma orquestra e coro com mais de 300 integrantes tocando na mais sublime harmonia em fortíssimo preencheu todos os espaços de matéria e espírito, todos os cantos ficaram plenos, me deixando completamente atônito, num êxtase como poucos. Não poderia ser comparado a nada, nenhuma gravação, por melhor que fosse em termos de interpretação, chega a sequer a poder competir com a emoção desta massa sonora ao vivo. Neste momento entendi o furor em torno desta obra, entendi por que Mahler a considerava sua melhor obra, e por que foi seu único triunfo em vida.
Entendi também por que toda a discussão acadêmica é vã, toda a crítica, análise cerebral, ou musicológica sobre ela parecia sumir, insignificante, frente ao monumento sonoro que se impunha, soberano, numa apresentação quase mística.
Sobre a interpretação do mito Rozhdestvensky e a OSESP? Já nem cabe mais falar, só pela gratidão que tenho por me terem proporcionado tal emoção.
Resumo da ópera: esta é definitivamente uma obra que, na mesma razão que os grande épicos do cinema foram feitos para se ver nas grandes telas das salas de projeção, também aqui estamos diante de uma obra cujo sentido só pode ser definitivamente apreciado numa sala de concerto. As gravações, mesmo as melhores balanceadas (tarefa das mais ingratas mesmo aos mais experientes técnicos), não podem fornecer senão uma ínfima parte, distante e vaga, do que é a Oitava Sinfonia de Mahler.
Se alguém teve oportunidade de assistir a um filme como 2001: uma odisséia no espaço na TV e no cinema, sabe do que estou falando.
Aproveito a oportunidade para agradecer minha ex-aluna e amiga Bela Pulfer, que gentilmente comprou meus ingressos antes que se esgotassem!
Abraços

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Do Cinema e da Música

Conheci Máximo Barro em 1990, quando entrei na Faculdade de Cinema da FAAP, e imediatamente tomei-lhe como mentor, pois era ciente da minha grande ignorância em cultura cinematográfica geral. E ele tinha a aura mítica característica daquilo que convencionamos chamar "dinossauro" do cinema; não apenas um realizador, montador, pesquisador e professor, mas a história viva do cinema, homem de vasta cultura literária, musical e artística, uma enciclopédia cinematográfica que perambulava pelos corredores da FAAP. E isso sem ter nem ao menos curso superior! Esse aspecto me fascinava, porque transparecia nele a vívida paixão pelo que fazia, e ainda faz, e certamente atraente para quem queria aprender. Falava dos cineastas mais importantes do Brasil como quem contava histórias de família, com todos os requintes folclóricos dos personagens burlescos fellinianos. Surpreendi-me mais ainda quando, certa feita, mostrou-me uma pequena caixa de madeira com um fichário; dentro, pesquisa de punho próprio: em cada ficha, uma cidade, com endereço, data e título do filme, informações sobre as primeiras exibições de cada lugar, empreitada própria, sem nenhum apoio cultural... Máximo Barro tornou-se meu "pai" no cinema, como meu pai o fora na fotografia. E, certa vez, depois de uma aula brilhante sobre história do cinema brasileiro, comentei com ele, inocentemente: "Puxa, Máximo, eu queria gostar tanto de cinema quanto você". Ao que ele me respondeu: "Mas eu não gosto de cinema... gosto de Música".
Desde então perdi o medo de admitir que eu gosto mesmo é de música.
Obrigado, Máximo!
Abs